entrevista/regulamentação do dj
A PROFISSÃO DJ E SUA REGULAMENTAÇÃO
ENTREVISTA DE CLÁUDIO MANOEL A RENATO L.
*Você é favorável à regulamentação da profissão de DJ? Por que?
Cláudio Manoel Duarte – Creio que haver uma regulamentação de profissão é sempre necessário. Primero porque pode significar uma proteção para o profissional, frente há uma mercado ainda sem regras contratuais (vemos todo tipo de contratos sendo feito) e segundo porque significa o reconhecimento de uma atividade como profissão. Por outro lado crio também que essa atividade, o djing, faz associação com a arte, é preiso entender que essa regulamentação deve prefer aspectos do dj como artista, e não limitá-lo a critérios meramenet técnicos e mercadológicos. Eis aí um momento um pouco mais complexo que exigiria uam maior discussão com a comunidade envolvida. Umas das leis tramitando coloca no Art 6º que para registro do DJ (disc-jockey), Produtor DJ (disc-jockey) e Profissional de Cabine de Som DJ (disc-jockey), é necessária a apresentação de “I – diploma de curso profissionalizante reconhecido pelo MEC ou pelo Sindicato da Categoria; ou II – atestado de capacitação profissional fornecido pelo Sindicato representativo da categoria profissional”. Sindicato ou Curso reconhecido pelo Mec. Esse requisição, curso, acho muito interessante porque fica subentendido ai que a formação do dj deverá além da técnica, mas incorpore um repertório cultural, informação além dos equipamentos.
*Qual das duas leis em tramitação tem a sua preferência?
Cláudio Manoel Duarte – Os dois projetso de lei merecem maior discussão com a comunidade de djs. A proposta de Brizola Neto traz dosi dados novos: a exigência de formação acadêmica e a regulamentação da profissão vj, além do dj. A de Romeu Tuma, que efetivamente iniciou uma discussão maior com a comunidade, apenas regulamenta a profissão dj, embora deixe claro a necessidade também de curso reconhecido pelo MEC. Nesse momento, prefiro a idéia de quem precisamos comparar mais detalhadamente as leis propostas e ponderar as viabilidades. O que mais me interessa é o fato de as duas deixarem claro a necessidade de cursos oficiais para a formação de djs.
*Regulamentar a profissão ajudaria em que medida na solução de problemas como
a baixa remuneração e o ‘inchamento’ do mercado?
Cláudio Manoel Duarte – Não creio ao todo. Mas acho que dará instrumentos legais de proteção ao profissional. Esse inchaço, como você diz, é fruto de uma idolatração da imagem do dj, atualmente, e que gerou despertando desejos numa massa da juventude em se tornar um. Lembro que há uma década e meia atras ser dj estava ligada á boemia, apenas, e não siginificava profissão séria. É claro que a cena, saindo do underground e chegando ao mainstream, vai projetar essa figura, o dj, como um ídolo e até como um instrumento de mídia, fazendo com que novos adeptos da profissão busquem entrar no mercado. A cena se espalhou, mesmo perdendo alguns elementos mais “autênticos”, e com ela tivemso uma ampliação da comunidade dj. Havendo leis regulamentares, o que teremos é, talvez, uma segmentação entre djs registrados e os não registrados, mas creio mesmo que uma regulamentação reforça a idéia de profissão séria. Talvez aí desperte mais vontades em novos adeptos.
*Caso o projeto do deputado Brizola Neto seja aprovado, apenas serão
reconhecidos como DJs aqueles que concluirem um curso de formação devidamente
reconhecido. O que você acha desse critério? É preciso, realmente, frequentar
uma escola de DJ para ser considerado como tal?
Cláudio Manoel Duarte – Não só o projeto de Brizola Neto, mas também o de Romeu Tuma exige escola. Nós podemos aprender uma profissão por autodidatismo. Aconteceu isso com os jornalistas, quando não havia escolas de Comunicação. Eram os provisionados, ou seja, profissionais formados pelo “batente”, pelo mercado de trabalho já sedimentado. Isso porque não havia cursos. Creio que qualquer ambiente onde possamos ampliar nosso conhecimento seja importante. A escola é um deles. Já existem no Brasil vários cursos informais de dj, inclusive em parcerias com Universidades e outras instituições reconhecidas. Quem faz esses curso certamente aceleram o contato com o conhecimento. E precisamos entender que, além do talento e técnica, ser dj requer ouros conhecimenos, inclusive de cultura musical. A escola pode propiciar isso!
Lembro que no exterior (Londres, por exemplo) há curso de dj em faculdade. Lembro ainda que no Brasil, desde 2007, já temos um curso tecnoloógico de graduação de Produção de Música Eletrônica (DJ Profissional), na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo (http://portal.anhembi.br).
*Mais duas exigências: o DJ terá que ser sindicalizado e provar que é capaz
de exercer a atividade através de um teste ou provando carreira estabelecida.
Corremos o risco do surgimento de uma espécie de “Ordem dos DJs do Brasil”?
Cláudio Manoel Duarte – Há um mercado informal dos djs que nunca será dominado. Esatsmops falando de arte. É artista quem quer e tem talento. Apesar desses projetos de leis, escolas (que defendo), sindicatos etc um gruitarrista continua guitarrista, sem passar pelo crivo da falida Ordem dos Músicos do Brasil. Quando essas instituições surgem, querendo impor um outro tido de controle, elas terminam por não se legitimar. Pergunte aos músicos o que eles acham da OMB. A questão é termos um amparo legal para eventuais necessidades – no momento ainda não há leis no Brasil que nos econheça como profissionais.
*Você conhece a maneira como a profissão é regulamentada em países como Inglaterra, França e Alemanha?
Cláudio Manoel Duarte – Não conheço a fundo. Mas há um mercado mais regulamentado porque já reconheceu essa profissão.
*A indústria da música passou por mudanças revolucionárias nos últimos. Você
acha que as transformações tecnológicas em curso podem, a médio prazo,
colocar por terra as boas (e más) intenções de leis desse tipo?
Cláudio Manoel Duarte – Mas esse é o principal problema das leis. Elas precisam ser, frequentemente, revistas, por que a vida é dinâmica. Quantas leis no Brasil estão defasadas? Lembre-se que as leis sobre direitos autorais, por exemplo, continuam falando de coisas quem nem existem mais e nem há um debate para atualizá-las. Então, a questão é entender as leis como algo que regula a vida. E se as leis não têm vida, elas perdem o sentido.