a eterna polêmica sobre o que é confiável?
a ciência sempre querendo ser a dona da verdade e elegendo quais suportes temos que acreditar. a wikipedia nao pode!, diz a academia.
a verdade é uma construção. o mundo sempre é explicado a partir de verdades construídas. quem constrói é a ciência (e a religião) – a cultura, enfim.
a ciência se aproxima da verdade – que verdade? – pq usa métodos racionais de medição e ponderação. mas os critérios para isso também são eleitos a partir de uma suposição – de uma crença.
lembro que a ciencia teimou por séculos afirmando que a terra era quadrada, e que o mar, ali na frente, caia no horizonte, no abismo, impedindo uma mais cedo conexão entre os povos, diferentes civilizações – assustados em navegar até o horizonte e desabar!
- quem quer morrer assim? se afogando num precipício? é melhor acreditar no que os cientitas dizem…
ok, por medo, não navegamos até lá para descobrir as índias durante séculos… o que nos levou a um atraso na troca de informação – que efetivamente contribui com a evolução técnica – pelo menos – das sociedades.
hoje? o que está em jogo aí, além da discussão sobre as fontes confiáveis que ditam a verdade, é a não admissão de que há hoje um cenário onde uma das leis da cibercultura – a liberação do pólo de emissão (para citar Lemos) – mudou as regras do jogo. quem fala hoje é também quem apenas ouvia. o pólo de emitir informação – inclusive verdades – é um direito não só da academia. nem só das mídias tradicionais. nem dos donos de qualquer coisa…
lembro que os grandes meio de comunicação de massa internacionais tiveram que recorrer aos blogs dos garotos para saber o que houve realmente nas catástrofes locais (Tsunamis) – pq a informação agora vinha dos blogs e não das agencias de notícias confiáveis, que filtravam realidades, que elegiam as notícias sob o olhar de seletores do interesse público, sob o crivo dos gatekeepers. um dado: essas agencias agora não conseguem acompanhar o complexo mundo de acontecimentos pipocados em mínimos lugares do planeta.
quem soube primeiro da morte de Michael Jackson? foi a galera que estava tuitando. a informação apareceu por lá, no microblog twitter do enfermeiro que viu MJ chegar morto no hospital. antes da mídia. era verdade, mentira? é preciso averiguar, checar, apurar, como em qualquer suporte/fonte.
a tríade produção/circulação/consumo foi alterada e o consumidor é produtor, também – em todos os aspectos da vida. quem nega isso, baseia-se em modelos já superados, sofrendo, nostalgicamente, com a perda do poder de ter sido o centro declaratório, o centro do ditado.
ainda bem.