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Cidade, homossexualidade e música eletrônica: do espaço urbano ao espaço virtual

Cláudio Manoel Duarte e Gisele Marchiori Nussbaumeri

Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem.

Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite…” (João do Rio)

Resumo: Relacionando o universo homossexual, a cena da música eletrônica e a experiência das cibercidades, o artigo visa a mostrar que estas últimas não têm oportunizado estruturas abertas à interatividade e à instalação de culturas emergentes.

Palavras-chave: cibercidades, homossexualidade e música eletrônica

A cidade é uma realidade objetiva – com suas ruas, monumentos, praças – uma realidade a partir da qual se desenvolvem idéias e se constroem representações. Das representações possíveis acerca da cidade, uma das que mais tem chamado atenção é aquela que se refere ao processo de urbanização, com todas as suas conseqüências. Como mostra Sandra Pesavento (1997), no decorrer do século 19 ocorreu um crescimento desordenado de casas e bairros, além da aglomeração em espaços restritos de grupos heterogêneos, impondo-se a questão social como uma questão urbana. Havia uma faceta maldita, com seus atores, seus lugares e seu tempo, sendo preciso reordenar espaços e disciplinar vivências coletivas.

Carlos Roberto de Andrade (1997) lembra que Bakhtin já apontava o século 19 como um século de mutismo. Para ele, se era na praça que se confrontavam formas antagônicas de sociabilidade, ao seu esvaziamento correspondeu um silenciamento de vozes. Privacidade e isolamento arquitetônico tensionaram a cidade e segmentaram o público do privado, a massa do indivíduo. Uma noção de conforto, característica da vida moderna, se estendeu por todos os lugares, das moradias aos shoppings-centers, que se tornaram “máquinas de conforto que regulam nossas vidas íntimas e públicas” (Andrade, 1997, p.100).

Segundo Andrade, dois modelos arquitetônicos e urbanísticos produziram a cidade do século 20 e anunciaram a do século 21; sendo dominantes, ainda, na configuração da imagem que temos hoje das cidades: os superblocos e os bairros-jardins. Nos superblocos, praças e ruas se diluem, reduzindo os espaços coletivos à mera função circulatória; nos bairros-jardins, praças e ruas são reiteradas como espaços de convívio, mas vigiados e separados do resto da cidade. Ou seja, trata-se de dois modelos que se desenvolveram negando a vida pública da cidade, sem considerar possibilidades de regeneração do espaço público e sem atentar para os movimentos que surgiam como forma de resistência à exclusão social que se configurava.

Nos últimos anos, no entanto, com o crescente desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação digital e sua inserção em nosso cotidiano; as atenções voltaram-se, também, para um outro tipo de cidade, as cibercidades. Elas surgem, assim, como espaços onde seria possível se desenvolver alternativas aos problemas percebidos no ambiente das cidades reais.

Analisando as experiências de cibercidadesii, André Lemos (1999) mostra que, em última instância, elas têm mantido como referência principal a cidade moderna como a conhecemos, com todos os seus antagonismos. O autor ressalta que a maioria das cibercidades desenvolvidas até o momento não passa de metáforas que não abarcam a complexidade de um determinado espaço urbano. Para Lemos, seria necessário, através dessas experiências, descobrir como fazer para virtualizar a efervescência ou a dinâmica de uma cidade, suas partes malditas; seria necessário refletir sobre a cidade virtual para que ela venha a se tornar palco de algo diferente das visões estereotipadas e assépticas que os especialistas se ocupam em construir. Na sua visão, as cibercidades deveriam aproveitar o potencial de formação comunitária do ciberespaço, promovendo práticas que, por exemplo, façam com que as pessoas evitem deslocamentos inúteis, ficando para elas a possibilidade da flânerie.

As cibercidades devem ser pensadas no sentido de potencializar trocas entre seus cidadãos e a ocupação de espaços concretos da cidade real. Afinal, como salienta Martín Barbero (1996), se há falência das trocas no espaço público, esta não está diretamente ligada às novas tecnologias, mas a crescente urbanização. A nova forma do urbano caracteriza-se por ser globalmente conectada e localmente esfacelada e as cibercidades são importantes, justamente, enquanto tentativa de diminuir esta discrepância.

Alessandro Aurigi e Stephen Graham (1998) salientam que as cibercidades nascem num terreno de fragmentação, isolamento e guetificação, que bem caracterizam as grandes cidades. De acordo com os autores, os espaços urbanos nunca foram inclusivos; mas sim uma reunião de mecanismos de exclusão e de inclusão social. Assim, com a crescente corrosão do espaço público, emerge o debate acerca do potencial do ciberespaço em promover novos tipos de interação social.

As cibercidades propostas até agora não conseguiram incorporar formatos abertos a intervenções efetivamente interativas de indivíduos e comunidades. Onde se encontre recursos técnicos que abram espaço para a criação de artifícios, para a incorporação de experiências culturais alternativas e outras práticas políticas. Não da política tradicional, eleitoral, institucional, mas políticas de construção de (outros) sentidos, de outros discursos estéticos.

Conforme atesta André Lemos,

a virtualização digital das cidades não constitui verdadeiramente a criação de uma esfera pública. A maioria das experiências são, certamente, apenas bases de dados sobre um determinado espaço urbano, agregando informações sobre municipalidades, lazer, informações turísticas, transportes, eventos culturais, etc. São poucas as experiências que criam espaços de interação social, com abertura a discursos bidirecionais e a fóruns comunitários. Em geral, as cibercidades parecem mais como propaganda e serviços do que a constituição daquilo que dá a vida a uma cidade, ou seja, a criação de formas de comunicação livres e democráticas (Lemos, 2000).

Ao pensar a construção das cibercidades, há por trás desse debate a aplicação (ou não) de conceitos da participação democrática – liberdade de expressão (temas) e criação (técnicas) de fóruns sem censura -, diretamente relacionada ao formato (design) e aos softwares utilizados, que vão estabelecer se essa cibercidade é aberta (ou não) a intervenções externas. Podemos mesmo dizer que as escolhas técnicas (design e softs) já estabelecem as bases políticas do projeto: o de ser participativo ou de ser uma mera representação do discurso formal das instituições das cidades reais.

Ao ironizar algumas experiências, Pierre Lévy (1999) cita o exemplo dos museus virtuais, que “às vezes nada mais são do que catálogos ruins na Internet“, quando deveriam servir como espaços para maior interatividade e criação de obras coletivas. Com esse exemplo, o autor defende que o ciberespaço não pode ser mera duplicação das instituições (“formas institucionais”), sob o discurso de “acesso para todos”, mas deve valorizar e compartilhar a inteligência nas comunidades conectadas. As idéias de Lévy se baseiam no que ele defende como sendo o movimento social da cibercultura: a interconexão, as comunidades virtuais e a inteligência coletiva.

As comunidades virtuais se estabelecem a partir da interconexão, aliada à afinidade de interesses, e processam a cooperação através da troca de informações que as consolidam enquanto grupo, independente de proximidades geográficas. Informação e sentimento estão presentes numa comunidade virtual: são a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais e de poder, mas em torno de centros de interesses comuns, de cooperação mútua.

Essas comunidades vêm se firmando tendo como base processos identitários dirigidos (como os neonazista, os gays, os clubers e outros); ou apenas por delimitação de espaços territoriais (bairro, alunos de uma mesma escola, etc). Mas, nos dois casos, podem ou não encontrar espaços abertos (democráticos do ponto de vista do tema e de suportes técnicos interativos) para se expressarem nas cibercidades. Quanto mais radicais as expressões, menos assimiladas pelos projetos oficiais das cibercidades, que priorizam um discurso formal – e “limpo” – dos estilos de vida. Eis aí a cena gay, eis aí os comportamentos associados a estilos de vida, eis aí as cenas que associam arte e comportamento, como a da música eletrônica.

Se as cibercidades não têm conseguido resgatar a efervescência presente no cotidiano das cidades reais – embora seus projetos proponham retomar no ciberespaço as práticas da cidadania e resgatar o espaço público – há um movimento que se consolida paralelamente. Surgem sites e listas de discussão, entre outros espaços, que se baseiam em conteúdos temáticos especializados e de interesses comunitários bem definidos, muitas vezes por associação de afinidades de estilos de vida alternativos, e, por isso, marginais aos projetos das cibercidades, marginais às proposições oficiais (institucionais) no ciberespaço – este é o caso do universo homossexual e da cena da música eletrônica.

Universo homossexual: do urbano ao virtual

A ocupação do espaço público urbano sempre foi considerada como um fator importante para o desenvolvimento de estilos de vida. James Green (2000), analisando a homossexualidade masculina no Brasil do século XX, lembra que uma acessibilidade maior dos homens ao espaço público, as ruas, as praças, sempre facilitou os encontros entre eles. O autor conta que, em certos locais do Rio de Janeiro, por exemplo, o passear pelas ruas foi por muito tempo uma prática característica da sociedade carioca, sendo que ninguém personificava melhor a figura do flâneur ou do dândi que ali transitava do que o escritor João do Rio. Se hoje a idéia de encontros anônimos em espaços públicos como jardins, parques e praças talvez seja estranha às experiências de vida dos mais jovens, para muitos homossexuais “que tinham que esconder as suas predileções sexuais de parentes, amigos e patrões, esses encontros eróticos aleatórios constituíam um dos únicos meios de conhecer parceiros em potencial” (Green, 2000, p.98).

A busca por lugares de encontro e maior interação social sempre foi uma característica da comunidade gay que, como alternativa, buscava (e ainda busca) refúgio em determinados pontos das grandes cidades, dos quais “se apropriava”. Com o surgimento do ciberespaço, e das cibercidades, o mesmo tem acontecido: não havendo esses pontos, esses lugares de interação, eles são “criados”.

O ciberespaço se apresenta como um ambiente sem fronteiras, onde as relações que se estabelecem parecem ter como princípio organizador a busca por afinidades. Diferentes espaços surgem na rede, normalmente, a partir de temas aglutinantes. Basta navegar um pouco pela internet para que percebamos, por exemplo, que nela é possível se relacionar, se informar, viajar, enfim, viver de forma gay. Este não é um privilégio do universo homossexual, mas é difícil não se surpreender com a quantidade de espaços e ofertas a ele dirigido – ou com a quantidade de espaços que ele vem criando no ambiente virtual.

Com as tecnologias de comunicação digital, através das quais se torna possível transitar entre o ambiente virtual e o ambiente da vida real, os homossexuais vêm exercendo, com mais facilidade, o direito de viver suas diferenças, seja para satisfazer necessidades relacionadas à sociabilidade, para poder “sair do armário” sem grandes riscos ou para criar comunidades específicas. Os laços estabelecidos no ciberespaço facilitam encontros, que podem ser transferidos, também, para o espaço das cidades reais. São muitas as listas de discussão destinadas aos gays, lésbicas e diversas outras multiplicidades sexuais, também é considerável o número de sites dirigidos a esse úblico. Através desses espaços alternativos, criados no ambiente virtual, e quase sempre desconsiderados nos projetos das cibercidades, a comunidade gay tem mostrado que, como acontece no ambiente off line, ela também é capaz de se apropriar do on line.

As listas de discussão que surgem no ciberespaço possuem um caráter mais duradouro, adequado para tratar de grupos ou comunidade virtuais enquanto tal. Assim, destacamos algumas listas que estão entre as mais conhecidas do público homossexual, em toda sua diversidade.

A listagls é uma das mais antigas e conhecidas listas de discussão do universo homossexual. Ela foi criada em setembro de 1996, pelo sociólogo Roberto Warken, e é dirigida a gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, transgêneros e simpatizantes. A lista existe como um espaço para a reflexão de temas inerentes à homossexualidade, possui 398 membros1, está listada no Yahoo (http://br.groups.yahoo.com/group/listagls) e a associação é aberta. Trata-se de uma lista bastante ativa que, em janeiro de 2003, chegou a 1277 mensagens, uma média de 42 por dia. Um dado interessante refere-se ao fato da comunidade da listagls já ter se encontrado várias vezes fora do ciberespaço. Um desses encontros aconteceu, justamente, durante uma das Parada do Orgulho Gay de São Paulo. No período que antecedeu o evento, os membros da lista organizavam e divulgavam todo tipo de informação sobre a Parada, marcando pontos de encontro na Avenida Paulista e mostrando seu interesse em interagir também no espaço concreto da vida real.

A lista e-jovens se apresenta como a mais nova comunidade que está se formando na internet. Ela foi criada em agosto de 2001, pelo estudante de jornalismo Deco Ribeiro, que também é o seu moderador. A lista é dirigida sobretudo aos adolescentes gays e está vinculada ao site E-jovem (www.e-jovem.com). Possui 795 membros, está listada no diretório do Yahoo (http://groups.yahoo.com/group/e-jovens/) e a associação é aberta. A e-jovens é, sem dúvida, uma das listas GLS mais ativas da rede, com uma média que varia de 15 a 50 mensagens diárias, já tendo chegado a 80. Nesta lista, muitos adolescentes que não se assumem como gays no ambiente da vida real – junto à família, escola, amigos, etc – encontram espaço para estar e debater com outros na mesma situação. Existem casos de adolescentes que, depois de “se assumirem” neste ambiente, ganham coragem para fazer o mesmo fora dele.

A discussão e promoção dos direitos dos homossexuais no Brasil é o tema principal da lista gaylawyers, por isso ela reúne muitos advogados, juristas e militantes. A lista foi criada em março de 2000, possui 266 membros, está listada no Yahoo (http://br.groups.yahoo.com/group/gaylawyers/) e a associação é aberta. A gaylawyers é uma referência em se tratando de direitos homossexuais, sendo freqüentemente citada e consultada por comunidades de outras listas.

A Judeus Gays do Brasil é uma lista destinada a judeus e judias homossexuais, criada em setembro de 1999. Ela se apresenta como um lugar onde judeus homossexuais podem discutir tópicos diversos como: direitos humanos, cidadania, união civil, judaísmo, sionismo, homossexualidade e religião, entre outros. A possui mais de 200 membros, está listada no Yahoo (http://br.groups.yahoo.com/group/judeusgaysbr/) e a associação é restrita (é preciso justificar o interesse em entrar na lista e aguardar aprovação).

A lista Gays na Universidade de São Paulo/USP foi criada em junho de 2001 e é voltada à comunidade gay da USP. Tem como objetivo principal a discussão de temas pertinentes à realidade dessa comunidade. A lista possui 106 membros, está listada no Yahoo (http://yahoo.com/ group/gaysnausp/), não é moderada e a associação é aberta. É um exemplo de lista que se estruturou não apenas por afinidades mas, também, considerando um território físico de trânsito comum. Temos também a lista da Associação de Acadêmicos GLS do Brasil, coordenada pelo Prof. Luiz Mott e criada em janeiro de 2001. A lista tem como objetivos, entre outros, realizar o levantamento bibliográfico da produção acadêmica e literária consagrada à homossexualidade; promover discussões sobre sexualidade e homossexualidade em particular; denunciar e dar suporte a acadêmicos vítimas da homofobia. Ela possui 80 membros e está listada no Yahoo (http://br.groups.yahoo.com/group/aagls/).

Duas listas específicas para lésbicas também se destacam. A Lésbicas do Brasil foi criada em novembro de 2001, com o objetivo de criar um canal de comunicação entre militantes lésbicas, discutir e divulgar questões relacionadas à cidadania, educação sexual, cultura, entre outros. A lista possui 56 membros, está listada no Yahoo (http://groups.yahoo.com/group/lesbicas-br/) e a associação é aberta. A Leslist se dirige prioritariamente a lésbicas, mas também é aberta à participação de gays, bissexuais, transgêneros e simpatizantes. Ela foi criada em janeiro de 1999, possui 323 membros, está listada no diretório Yahoo (http://br.groups.yahoo.com/group/lelist/) e a associação é aberta. Trata-se de uma lista bastante ativa que, como a Listagls, tem assim se mantido.

A Famílias Alternativas é uma lista de discussão sobre e para famílias homossexuais. Ela foi criada em março de 2002 e tem como objetivo discutir os problemas de mães lésbicas e pais gays que têm um relacionamento estável, com filhos biológicos ou adotivos. Ela está listada no Grupos.com (http://www.grupos.com.br/grupos/ familiasalternativas/) e, apesar de nova, vem crescendo e se tornando muito conhecida no universo homossexual.

Além das listas de discussão, vários outros espaços, como os sites, fazem parte do cenário por onde circula o universo homossexual na rede. Nesse sentido, é interessante destacar que, já em 1998, um “Guia Gay da Internet”, organizado pelo jornalista Stevan Lekitsch, havia sido publicado pela edições GLS (selo da Summus).

Entre os sites citados no Guia, destaca-se o do Mix Brasil (www.mixbrasil.com.br), que foi criado em 1996 e, desde 1997, é acessado através do Universo Online. O Mix divulga notícias atuais sobre o mundo gay, traz entrevistas com pessoas famosas, novelas, galerias, salas de bate-papo, roteiro, área específica para lésbicas (Cio) e informações gerais. O Mix Brasil foi criado pelo publicitário André Fisher e é o site gay brasileiro mais conhecido. Ele foi o pioneiro e até hoje serve como referência para muitos outros sites que surgiram depois.

O Glssite.net (www.glssite.net) é um site sobre educação sexual para gays, lésbicas,

bissexuais, transgêneros e simpatizantes. Foi criado em setembro de 1996 com o objetivo de contribuir “com a construção de uma cidadania mais justa, ofertando espaços de comunicação e organização contra a homofobia”. O Glssite abriga a listagls. O Ursos do Brasil (www.geocities.com/~ubr/pghome.htm) é um site informativo sobre os famosos bears americanos, conhecidos no Brasil como ursos. Explica o que são os ursos, como identificá-los, indica páginas pessoais, traz fotos, um índice de ursos pelo Brasil, e links para outros sites sobre o assunto. Outro exemplo de site dirigido ao universo homossexual é o da Editora GLS (http://www.edgls.com.br/faq.html), selo da Summus. Também a conhecida boate paulista A Loca possui um site na Internet (www.aloca.com.br), com sua a programação, flyers de divulgação, fotos do interior da boate, além de informações sobre os DJ’s que tocam, entre outras coisas. Um site mais recente e muito interessante é o Armário X (http://www.armariox.com.br/), que traz dicas e sugestões para quem quer “sair do armário”, ou seja, se assumir como homossexual. O Armário X abriga uma lista de discussão com o mesmo nome.

Os sites dirigidos aos interesses específicos do público gay e, na maior parte das vezes por eles criados, são os mais procurados e acessados. Até mesmo porque as cidades virtuais não oferecem possibilidades para esse público e, quando oferecem, é sem os mesmos atrativos dos espaços já existentes.

O universo homossexual, em toda sua diversidade, se apropriou do ciberespaço, criou comunidades e tem buscado transferir para o ambiente das cidades reais a sociabilidade por vezes conquistada apenas no ambiente virtual. Mas não apenas o universo homossexual vem criando seus espaços na rede, outras tribos, como as que se reúnem em torno da música eletrônica, também vêm ocupando seus espaços.

Música eletrônica: do urbano ao virtual

A cena da música eletrônica (ou o que se chamou de acid house party/cultura rave), particularmente nesses últimos cinco anos, tem se consolidado como uma cultura, como uma expressão da cibercultura, já que reflete a (re)apropriação das tecnologias contemporâneas tendo vista uma produção simbólica: a música eletrônica e tudo que decorre dela (como a moda, produção de softs de e-music, sites, selos alternativos de música, etc). Essa é uma cena que não aparece nas cidades virtuais, apesar de sua proliferação no mundo, principalmente entre os jovens que alimentam um movimento com passeatas de grande repercussão (Love Parade na Alemanha com um milhão e 500 mil pessoas; em Paris com 400 mil pessoas; em São Paulo com 20 mil pessoas), eventos noturnos (techno parties, chill in, chill out, lounges), selos, sites, etc.

Os encontros em torno da e-music impressionaram no início dos anos 90 – particularmente na Inglaterra, com festas raves reunindo de 8 a 15 mil jovens – e trouxeram como idéias principais, defendidas pelos ravers, o dogma Plur (peace, love, unity and respect – paz, amor, unidade e respeito). O dogma PLUR, defendido pelo dj Frankie Bones em NY por volta de 1992 e incorporado pela cena dita “rave” (acid house party), recupera o discurso da contracultura dos anos 60/70 (paz e amor), dando uma tônica também ao caráter universal (unidade) e de tolerância (respeito). A música, “executada” em pick ups (pratos toca-discos de vinil) por dee jays, envolve os clubbers, ravers em danças por horas a fio e a partir da música repetitiva (house, techno, trance, etc).

Ao pensarmos em cena, lembramos que essa noção é bastante discutida e busca elementos a serem aplicados a diferentes estilos de vida, particularmente ao de comunidades musicais. Will Straw, em “Systems of articulation, logics of change: commmunities and scenes in popular music“, afirma que o senso articulado dentro de uma comunidade musical, normalmente depende de um link entre dois termos: a prática musical contemporânea e a herança musical. Ou seja, por trás dessa conexão, há uma prática atual com informação, com background, o que reforça a idéia de que existe, nessas culturas jovens, um embasamento além-modismo. Esse embasamento norteia suas práticas com fundamento, estabelecendo uma atuação dos envolvidos em um projeto estético, cultural, mesmo que não o seja, pois nem sempre se reivindica, nessas cenas, uma direção, nem se aponta um caminho definido.

Como já ressaltamos, a cena se dá a partir do link “prática musical contemporânea” e “herança musical”, implicando um movimento que tem referências anteriores, mas que se adequa e assimila novas mudanças. Cena é definida por Straw (1999) como “aquele espaço cultural em que uma escala de práticas musicais coexistem, interagindo cada uma com outra dentro de uma variedade do processo de diferenciação, e de acordo com trajetórias de mudança e auto-fertilização” (tradução nossa)2.

Se a cena da música eletrônica não está presente nas cibercidades, como veremos, ela se apropria de outros espaços do ambiente virtual. No Brasil, com a verticalização da cena da e-music, sobretudo a partir de 1999 – quando as tribos se fragmentaram mais em torno das vertentes do techno/house, trance e drumNbass -, foram criadas duas novas listas de discussão. Já havia a BR-Rave (http://www.br-raves.org), destinada principalmente ao tecno e ao house. Agora os integrantes da cena se segmentam em fóruns específicos de música trance (http://members.nbci.com/psytrancebr/) e de drumNbass (http://spectrogirl.com/in2bass). Há ainda listas “regionais”, como a do PragatecnoBrasil, que se volta mais à cena do norte e nordeste (http://groups.yahoo.com/group /pragatecnobrasil).

A lista Br-Raves nasceu em 1996 em Florianópolis – SC, por iniciativa dos DJs Spiceee e Spark: “de lá pra (sic) cá o que era uma simples lista de e-mail se tornou um importante ponto de referência na cena brasileira, unindo pessoas de diversas regiões do país, levando informações e promovendo o intercâmbio dos nossos DJs“, defendem os criadores na apresentação no site. Para eles, mais do que uma curiosidade, a Br-Raves veio de uma necessidade de contato entre amantes da boa música eletrônica no Brasil, até então presos a contatos na internet e viagens a outras cidades.

Mas a lista foi crescendo e, segundo os criadores, cresceram também seus problemas, como o acúmulo de mensagens off-topic; usuários que não sabiam direito porque estavam ali e brigas intermináveis geradas sempre por assuntos que não tinham nada a ver com música. E o mais importante, “cresceu também o sentimento de que ali está nascendo algo que tem muito a acrescentar na cena nacional“, complementam. O caráter comunitário e underground (emergente e não comercial) se destaca no discurso da lista, que conta com cerca de 300 participantes. Interessante ainda frisar que a lista possui, além de um moderador, dez mandamentos quem orientam a (net)etiqueta de seus freqüentadores.

A Drum&Bass (Brazilian Drum&Bass list) foi criada em 1999, é endereçada a interessados nessa vertente e conta com 153 membros (abril de 2001). Ela está listada no diretório do YahooGroups, é aberta a novos membros e não moderada. A lists PsyTrance Brasil se define como “o lugar do mundo (para os) que gostam de Trance, Goa Trance ou Psychedelic Trance“. O proprietário é Rogério Martinelli (rogerio@chaishop.com) e trata-se de uma “lista de troca de informações sobre trance, Raves, psychedelic Parties, produções de Trance, GoaTrance e Psychedelic Trance“. A quantidade de membros não foi revelada pelo proprietário; mas sabe-se que gira em torno de 300 pessoas. Além de se voltar à cena rave (festas fora da cidade, em sítios e praias) e ao som psy trance, principalmente, há troca de informações que associam religiões orientais com música eletrônica.

A Lista PragatecnoBrasil (http://groups.yahoo.com/group/pragatecnobrasil), criada em 28 de agosto de 2000, é uma das mais recentes. Ligada ao grupo Pragatecno (com núcleos em Salvador, Maceió, Fortaleza e Belém do Pará), a lista se volta para a cena “da música eletrônica underground – Norte, Nordeste, Brasil, Mundo. Techno, Trance, House, Techouse, Trip Hop, Dub, Ambient, Illbient, Jungle, DrumNbass, Downtempo, Rave, Club,

Fashion, Music Softwares, Djing, Cyberculture, etc“. Com 68 membros, conta com djs, interessados, promoters, e agitadores culturais. É uma lista aberta e sem moderação. Importante frisar que essa é uma das poucas listas não definida por vertente. É normal, portanto, ela aglutinar pessoas que também participam de outras listas, mais verticalizadas. Na PragatecnoBrasil se discute todos os temas vinculados à música eletrônica. Uma lista semelhante foi a criada em Brasília, embora mais voltada às questões da e-music naquela cidade.

No geral, as listas confirmam a hipótese de que a formação de tribos em torno da e-music não acontece de maneira ampla, mas em torno dos estilos musicais e de particularidades regionais: o espelho dessa segmentação aparece no próprio ciberespaço através das listas específicas, reforçando a noção de experiência (com)partilhada.

O site de maior referência à cena da música eletrônica brasileira – e o pioneiro – foi o Rraurl (www.rraurl.com), que dispõe de notícias, reviews (resenhas de festas e lançamento de cds e vinis) além de um guia que informa onde acontecem os eventos, classificados em fixos (programações permanentes de bares e clubs), raves (festas em sítios e praias) e festas (techonoparties eventuais, tanto em clubes quanto em bares ou galpões). Em cerca de um ano, o guia do Rraurl foi obrigado a informar sobre os eventos dividindo os mesmos por região e cidades brasileiras, dado o crescimento do movimento e articulação nacional de novos núcleos. O site dispõe ainda de um fórum, utilizado basicamente para o debate de pequenas polêmicas.

Um outro dado de uso da rede, nesse contexto, é a descentralização das informações, que acontecem em dois níveis: pela colocação de páginas dos núcleos ou cenas “locais” e pela criação de listas regionais. O Pragatecno produz suas páginas na url http://www.pragatecno.com.br. A cena de Florianópolis e Santa Catarina está presente em http://www.potentialvalleys.com/flundi. O Núcleo Undergroove de Fortaleza cria o site http://www.undergroove.com.br; o BUM (Brazilian Underground Movement) do Rio de Janeiro aparece em bummusic.w3.to. Brasília cria três sites: pagina.de/tuntistun, http://www.pangeia.com.br/bsbnight e www.distopia.com/dsb. Destacamos também o site de um movimento da periferia de São Paulo, chamado de CyberManos, na url members.tripod.com/cybermanos e um ex-fanzine impresso (Cena Brasil) que ganha sua versão na net: www.cenabrasil.com.br.

Sites com estrutura de portais passam a representar de forma mais profissional (com equipe de redação, banner comercial, formulários automáticos, atualização sistemática) a cena do país. É o caso do site-portal FiberOnLine (www.fiberonline.com.br) que, além de trazer artigos-manchetes na homepage (dando um caráter de permanente atualização), mantém uma agenda informando os principais eventos do país. Com esse mesmo caráter de portal, aparece o site Headbeats (www.terra.com.br/headphone/headbeats/homebeat.htm), o TantoFaz/Electronik (www.tantofaz.net/electronik), o Electric Head (www.ghrtracks.com/electric), o Bits da Madrugada (www.bitsdamadrugada.com.br), o site RaveOn, voltados para a documentação da cena em fotos (www.raveon.com.br), e que agora cria editorias de textos. Há ainda revistas como a Hype-z (www.hype-z.com.br), que cria editoria para a cena.

Na Internet também encontramos inúmeros sites de projetos de e-music, agências de djs e associações (Zootek, primeira cooperativa de música eletrônica em listen.to/zootek), além de revistas especializadas como a DJ World (www.djworld.com.br) e colunismo (www.erikapalomino.com.br). A maioria desses sites-portais usam atividades de marketing para sua auto-promoção (malling-list informando sobre novidades no site, promoção de concursos, brindes para quem participa de enquetes, parcerias com clubes, etc).

Considerações finais

Se elegermos a “cultura jovem” – uma das mais presentes no cotidiano das grandes cidades urbanas – essa relação entre cibercidades e efervescência nas cidades reais é praticamente invisível. O mesmo acontece com as estilos de vida, como os gays e os ravers/clubbers. É perceptível uma lógica de exclusão, até mesmo do ponto de vista técnico, pois os projetos de cibercidades não têm criado estruturas abertas à interatividade, à instalação de espaços ciberurbanos para essas culturas emergentes, a partir delas mesmas.

é preciso pensar as cibercidades numa articulação entre o território e a inteligência coletiva, e conectar os espaços de inteligência coletiva a essas cibercidades, ou propô-los como espaço público dentro das mesmas, para que elas resgatem a vivacidade urbana. É necessário ir muito além de uma mera representação, muito além da metáfora, para que a interconexão constitua a humanidade em um “contínuo sem fronteiras”, como afirma Lévy, tecendo um universo por contato.

A presença de cenas no ciberespaço, tanto advindas do universo homossexual como da cena da música eletrônica, são anteriores aos projetos de cibercidades. Por isso mesmo, os projetos de cibercidades deveriam incorporar essa efervescência (já existente nas cidades reais e no ciberespaço), criando instâncias de participação. Como isso não é feito, fica caracterizada a distância entre de conteúdo entre as cidades reais e as cidades virtuais, como se fossem duas vertentes não conectáveis. No entanto, apesar dessa realidade, essas cenas vêm se consolidando, como vimos, paralelamente aos projetos oficiais de cibercidades. Elas mantém e criam fóruns de discussão, sites e listas para fortalecer seus conceitos e promover maior interação entre seus membros.

O conjunto de sites, listas de discussão e portais que apresentamos, tanto do universo homossexual como da cena da música eletrônica, apresenta, no ciberespaço, além da efervescência de estilos de vida da cidade real, uma realidade, digamos, já amadurecida. Essa realidade poderia facilmente ser incorporada pelos projetos de cibercidades: a experiência já está colocada e com público.

Enfim, a presença marcante do universo homossexual e da cena da música eletrônica no ciberespaço pode ser interpretada como um novo movimento de resistência à exclusão social, de regeneração do espaço público perdido e de apropriação das novas tecnologias de comunicação. Se não existe o poder, instaura-se a potência, a vontade de estar-junto, a socialidade dos agrupamentos urbanos que, com a novas tecnologias, passam do espaço urbano para o virtual – e vice-versa. Se as praças silenciaram, outros espaços se encarregam de tentar cumprir e atualizar seu papel.

Referências bibliográficas

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Glossário

After-hours – Programação de clubes que tem início normalmente às quatro, cinco da manhã e se estende até o final da manhã.

Ambient Music – Música basicamente de texturas, sem batidas, com notas longas e etéreas e melodia lenta (quando aparece algum ritmo está desacelerado), não voltada para as pistas. Usada em situações chill out, relaxamento. Uma das característica desse estilo é, às vezes, a citação de sons do ambiente (vento, mar, vozes…). Há o Illbient que é a versão dark, negra, sombria, da Ambient Music.

Big Beat – Acelerando as batidas quebradas do hip hop e as vezes fundindo com as do funk, esse estilo pode incluir distorções de riffs de guitarras. É o som mais acessível da eletrônica e se assemelha ao rock.

BPM – Batidas por minuto, a velocidade do ritmo.

Chill In – Esquentamento. Encontro para ouvir música eletrônica antes das festas ou saída para os clubes.

Chill Out – Relaxamento. Ambiente com música menos acelerada, um pós-agitação das pistas de dança.

Cultura Club – Conjunto de manifestações associadas à cultura nos clubes noturno de dança (moda; djs, disco e house music). Faz-se uma associação dessa cultura, em suas origens, com a época Disco, nos anos 70.

Djing – A ação ou conjunto de técnicas do dj (scratch, mixar, remixar, back-to-back, etc).

Dub – Originado na Jamaica, nos anos 60, destaca a montagem e a técnica como fundamentais para o resultado da música. É a tecnologia definindo a estética. O Dub eletrônico utiliza timbres do Reggae, com batidas lentas, reverberadas e efeitos etéreos. O efeito delay (distorção que faz com que o som ganhe uma textura de espacialidade, de trimidensionalidade) é um elemento importante do Dub eletrônico.

Drag-queens – Homens que se vestem de maneira estilizada, como mulheres. É comum a presença de drag em casas noturnas, se divertindo ou distribuindo flyers.

Electronica – Estilo gerado pela eletrônica, mas sem uma definição específica. Normalmente se refere a toda uma produção de um grupo que prefere não se definir por alguma vertente em particular.

Fanchonas – Mulheres de aspecto viril e hábitos masculinizados.

Flyers – Filipetas, panfletos “voadores”, repassadas de mão em mão. A produção dos flyers é uma atividade séria na cena da música eletrônica e do universo gay, repassa a idéia da festa através da programação visual.

Gabba – É o estilo mais hardcore (pesado e rápido) da eletrônica. Baseado na batida House e Techno, o Gabba chega a 300, 400 bpm´s.

GLS – Sigla crida em São Paulo, em 1994, para determinar o público de um festival de cinema e vídeo dirigido aos gays, lésbicas e simpatizantes.

House – Nascida em Chicago, em 1986, esse estilo saiu da fusão de elementos da soul music com a disco e batidas das baterias eletrônicas. Daí, surgem sub-gêneros como o Garage (com vocal gospel), e o Deep House (o mais elegante, com linhas melancólicas e minimalistas acima das batidas), o Jazzy House (batidas com um instrumento solo), dentre outros (Acid House, Disco House, Tribal Hous, French Housee). 110 a 128 bpms.

ISDN (Integrated Services Digital Networks) – Rede digital de serviços integrados. Tecnologia que integra voz e dados, com taxas altas de velocidade transferência de arquivos em redes de computadores.

Jungle/DrumNbass – Saído dos guetos negros de Londres, em 1992, esse estilo associa os baixos do reggae, com as batidas do hip hop, e às vezes funk, com o jazz. O DrumNbass, menos pesado, mistura as linhas de baixos a uma temática mais jazzy, menos quebrada, com vocais minimalistas. Em torno de 160 bpms.

Live P A (Live Power Amplification) – É a performance, a apresentação ao vivo, do grupo ou de músico eletrônico em clubes, festas e raves.

Mixar – Misturar. Na técnica do dj, significa juntar as batidas de duas ou mais músicas na mesma velocidade, buscando uma fusão ou uma passagem de um vinil, ou cd a outro, de uma música com a outra.

Simpatizantes – Termo usado no Brasil para indicar “gay friendly”, pessoas que convivem bem com o universo gay.

Techoparty (technoparties) – É a festa com música eletrônica em clubes e/ou em área urbanas da cidade, em ambientes fechados; a rave seria em ambientes abertos, ou em galpões fora do perímetro urbano.

Techouse – Sobreposição da batida techno sobre a house. Vertente nascida recentemente (1997). Do house, conserva, às vezes, curtas linhas melódias e a batida com hithat e claps (pratos e aplausos); do techno conserva as batidas 4 por 4. Por volta de 130 bpms.

Techno – Originado em Detroit, no início dos anos 80. Derrick May, Kevin Saunderson e Juan Atkins fazem uma fusão entre o som de Kraftwerk e batidas funks de George Clinton. O resultado é uma batidas seca, repetitiva, 4 por 4, sem vocais. 130 a 140 bpms.

Trance – Criado na Alemanha, é uma derivação do tecno. Texturas se sobrepõem às batidas e o baixo tem timbre sintetizado e menos seco. Som viajante. O Hard trance acelera as batidas para 150 bpm e o psy trance (de 138/140 bpms) aumenta as camadas de texturas e efeitos sonoros e mistura com sons étnicos indianos.

Trip Hop – É o blues do tecno. Melodias triste, com batidas desaceleradas, geralmente cantadas. A base é o hip hop, só que com efeitos lisérgicos e as vezes até de distorção. A voz, pode ser processada por filtros e parecer mecanizada. Sua origem é Bristol (Reino Unido) em 1991. Em torno de 65 a 85 bpms.

Techno pop – Som baseado nos anos 80 e que teve como expoente o Depeche Mode e o New Order. Música com letras, numa referência à canção tradicional. É pop, bastante dançante.

Ursos – Homossexuais de aparência mais máscula, normalmente mais gordinhos e peludos.

1 O número de membros das listas citadas refere-se ao mês de agosto de 2003.

2 is that cultural space in which a range of musical practises coexist, interacting with each other within a variety of process of differentiation, and according to widely varying trajectories of change and cross-fertilization”.

i Cláudio Manoel (ou Cláudio M.) é jornalista de formação, Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA, fundador e dj do grupo de música eletrônica Pragatecno, sub-editor da publicação 404nOtF0und, Assessor de Cultura Digital da Secult (Governo do Estado da Bahia) e professor do Centro Universitário Jorge Amado e professor da Pós-Graduação da Faculdade Social da Bahia.

Gisele Marchiori Nussbaumer é mestre em Ciências da Comunicação pela USP, doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA e profa. do Curso de Comunicação Social da UFSM.

ii Para Palácios: ” Uma Cibercidade não se constrói apenas na Internet, separadamente da Cidade Física mas, pelo contrário, é o resultado da incorporação e uso das tecnologias telemáticas no cotidiano da Cidade Física. O site da Cidade Virtual na Internet deve ser pensado apenas como uma porta de entrada, que dá visibilidade ao entrelaçamento entre a Cidade Física e a Cidade Virtual. Os terminais de acesso apenas servem para que os cidadãos façam uso dos benefícios e facilidades gerados pela introdução de recursos telemáticos na vida da cidade. Trata-se de uma nova dimensão do planejamento urbano e não de uma modalidade de videogame, como parece que ainda acreditam alguns”, em http://www2.correioweb.com.br/cw/2001-12-16/mat_24886.htm, em agosto de 2003

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